A-26 Invader

Douglas A-26 Invader (designado posteriormente como B-26), reconstruído como B-26K (A-26K), redesignado A-26A/K.
Origem: EUA — Douglas Aircraft Company; A-26K: On Mark Engineering.
Tipo: Avião de ataque, incursor, bombardeiro tático de três lugares; FA-26, reconhecimento; rebocador de alvos.

Dimensões:

  • Comprimento: 15,24 m.
  • Altura: 5,64 m.
  • Envergadura: 21,34 m; A-26A: 22,86 m com tanques de combustível nas extremidades das asas.
  • Superfície alar: 50 m².

Motores: dois Pratt & Whitney R-2800-27 de 2.000 cv, 71 ou 79 Double Wasp de 18 cilindros em duas linhas radiais; A-26A: dois R-2800-52W de 2.500 cv.
Pesos:

  • Vazio: 10.145 kg.
  • Carregado: 12.247 kg, típico; com carga máxima 14.515 kg, depois 15.876 kg;
  • Máximo: 17.640 kg.

Desempenho:

  • Vel. máx.: 571 km/h.
  • Ascensão inicial: 610 m/min.
  • Altitude máxima: 6.736m.
  • Alcance com carga máxima: 2.253 km.
  • Relação peso/potência: 2,53 kg/cv.
  • Carga alar: 202,9 kg/m².

Armamento:

  • A-26B até seis metralhadoras Browning 0,50 pol. fixas no nariz, quatro distribuídas em par nas torres dorsal e central plus 1.814 kg de bombas internas; carga adicional de 907 kg nas asas ou seis metralhadoras 0,50 pol.;
  • A-26C o mesmo armamento do B, com a diferença de operar apenas duas metralhadoras 0,50 pol. no nariz envidraçado;
  • A-26A (B-26K) até oito metralhadoras 0,50 pol. no nariz ou quatro canhões de 20 mm, mais seis metralhadoras 0,30 pol. nas asas. Carga máxima de 3.629 kg de bombas e oito suportes nas asas.

Histórico: Primeiro voo — XA-26, julho de 1942; A-26A (B-26K) fevereiro de 1963. Serviço: primeira entrega — dezembro de 1943; última entrega: janeiro de 1946. Retirada de serviço: 1972 (USAF).

Usuários: EUA (USAAF [Força aérea do Exército dos Estados Unidos], USAF, Marinha), depois da Segunda Guerra, Brasil, Chile, Cuba (utilizado por contrarrevolucionários patrocinados pelos EUA), Portugal (Angola), etc., diversos usuários civis [a Wikipédia anglófona possui uma lista extensa dos usuários].

Douglas A-26 (então B-26) bombardeando a Coreia do Norte.Municiadores carregando um A-26 da Nona Força Aérea (teatro de operações europeu) na Segunda Guerra Mundial. Foto: U.S. Air Force

 

Desenvolvimento

O A-26 Invader foi um avião fantástico. O projeto foi concebido já em 1940 pelo altamente capaz Ed Heinemann como um sucessor da família DB-7. Era mais veloz do que qualquer outro avião de sua categoria, exceto o de Havilland Mosquito; ficou 317 kg mais leve que o especificado — graças a uma nova liga de alumínio usado em sua estrutura — e era capaz de levar o dobro da carga de bombas requerida! Foi o primeiro bombardeiro a usar o aerofólio lamelar e flaps de dupla fenda, além de torres defensivas operadas por controle remoto (como as B-29). A maquete em tamanho real ficou pronta já em inícios de 1941, com o contrato para desenvolvimento assinado em meados do mesmo ano, prescrevendo o desenvolvimento de uma variante de caça noturno e outra de bombardeiro tático, com o primeiro voo esperado para janeiro de 1942.

Porém, a Douglas sofreu com atrasos nas entregas dos componentes necessários à fabricação do protótipo, especialmente de peças cuja produção era de responsabilidade do Estado, como hélices, motor, equipamento elétrico, tanques de combustível auto-selantes e mesmo as hastes para o trem de pouso. Finalmente, em dez de julho de 1.942 se deu o primeiro voo. O avião demonstrou possuir excelentes capacidades, superando, como dito mais acima, as especificações. Descobriram-se apenas duas falhas: o trem de pouso dianteiro era suscetível à quebra por sobrecarga e foi reprojetado; melhorias também foram implantadas no arrefecimento do motor, seja por modificações feitas diretamente nos propulsores, seja pela retirada do cone aerodinâmico do eixo das hélices para melhorar o fluxo de ar no motor. Em suma, o piloto de testes o qualificou como 'pronto para combate'.

A versão de caça noturno (A-26A) não teve seu desenvolvimento concluso em vista de já existir um caça noturno com capacidades superiores ao protótipo da Douglas, o Northrop P-61 Black Widow — o qual já estava em produção.

O desenvolvimento da versão de ataque A-26B, porém, acabou por ser atrasado ainda mais seja pela sobrecarga da Douglas com diversos contratos de produção já assinados, como pela incapacidade da Força Aérea do Exército em decidir que configuração de armamento seria implantada já no estágio de pré-produção: um canhão de 75 mm com duas metralhadoras 0,50 pol. no nariz; dois canhões de 37 mm com quatro metralhadoras 12,7mm; disso resultou que o primeiro lote da variante B era dotado de seis metralhadoras no nariz, e posteriormente eram oito no modelo de produção, embora tal configuração ainda estivesse a ser testada. Tais atrasos fizeram com que o A-26 fosse o avião fabricado em menor número entre todos os que foram empregados pelos EUA durante a Guerra.

O modelo A-26B, de nariz sólido, foi seguido pela versão C, a qual era dotada de um nariz envidraçado com mecanismo de mira para bombardeio nivelado. Esta versão estava mais em linha com a função de um avião de ataque/bombardeiro tático. A produção do modelo B e C era feita ao mesmo tempo em vista dos aviões divergirem apenas na montagem do nariz. Os atrasos continuaram e apenas em 1.944 houve um número de aparelhos suficientes para formar unidades de combate.

O A-26 foi um dos raros aviões que teve o seu desenvolvimento completado, da fase de projeto à implantação nas unidades de combate, integralmente no decurso da Segunda Guerra. Não houve nenhum interesse, tanto da Douglas como da Força Aérea, no seu posterior desenvolvimento, uma vez que se iniciara a era 'a jato'. O programa foi encerrado pouco depois da Guerra e, à época, o avião foi dado como obsoleto.

Porém ele permaneceu na Força Aérea dos Estados Unidos até 1.972 — um recorde impressionante à época — e em 1963, cerca de quarenta unidades foram reconstruídas pela On Mark Engineering. A necessidade se deu basicamente por conta da fadiga material a qual o avião esteve exposto devido ao seu extenso uso.

Novas asas com estrutura reforçada foram instaladas, as quais permitiram a colocação de suportes para armamento, além de tanques nas extremidades. A fuselagem e a cauda também foram remanufaturadas. O avião ganhou novos motores, hélices reversíveis e atualizações dos aviônicos, incluindo a instalação de comandos duplos na cabine. O primeiro voo se deu em janeiro de 1.963 e a última aeronave modernizada ficou pronta em abril de 1.965

A On Mark Engineering foi escolhida por sua experiência na conversão de unidades do A-26 em aviões comerciais. O contrato contemplou quarenta aviões. Posteriormente a empresa conseguiu contratos com clientes estrangeiros que operavam o A-26.

Três vistas do A-26A/K, última variante do Invader.O A-26A/K foi uma excelente plataforma de armas. Com ele foi possível romper as linhas de suprimento vietnamitas, tal como sucedeu na Coreia com as variantes anteriores do Invader. Este exemplar foi fotografado no início da operação Big Eagle em 1966. Foto: U.S. Air Force

Histórico operacional

As impressões iniciais das unidades de combate sobre o avião foram conflitantes. No Pacífico ele foi, num primeiro momento, rejeitado. No teatro de operações europeu, ele foi elogiado e bem quisto pelas tripulações.

Isto, porém se deu pela natureza das missões em cada frente. No Pacífico, a carlinga com a cobertura aerodinâmica deixava a visibilidade prejudicada, pois não era totalmente envidraçada, tornando complicado o voo em formação à baixa altitude e dificultando a observação dos bem camuflados alvos japoneses na selva. O General George Kenney, então comandante da 5ª Força Aérea, chegou a dizer: 'não queremos o A-26 sob nenhuma circunstância para substituir o que quer que seja'.

A resposta da Douglas foi remodelar a capota da carlinga por uma envidraçada e mais alta, trazendo substancial melhora na visibilidade do aparelho. E, no verão de 1945, o General Kenney mudou de ideia. Com o fim da Guerra na Europa, a Força Aérea estava a planejar a transferência vários grupos de A-26 para o teatro do Pacífico, além da conversão de quase todas unidades de aviões de ataque/bombardeiro tático para o A-26. Mas a Guerra no Japão acabou antes que tais planos se concretizassem.

Na Europa, os primeiros A-26 chegaram em setembro de 1944 e as primeiras missões ocorreram já novembro do mesmo ano. E o avião foi, em vista da natureza do terreno bem como das missões — a maior parte delas em bombardeio de voo nivelado, no qual o problema inicial da visibilidade não era um impedimento —, muito bem recebido pelas tripulações, sendo capaz de voar com apenas um dos motores a funcionar estando totalmente carregado, além de receber uma quantidade de danos enorme e mesmo assim permanecer em voo. Do início da sua operação até o fim da Guerra na Europa, os A-26 despejaram mais de 18 mil toneladas de bombas sobre alvos europeus em mais de 10 mil missões.

Redesignado

Em 1.948, logo após o desmembramento da Força Aérea do Exército norte-americano como uma força autônoma, o alto comando desta resolveu retirar de serviço todos os Martin B-26 Marauder e redesignar o A-26 como B-26, o que causa confusão até hoje. Em 1.966, porém, o então B-26K foi redesignado de volta — por motivos políticos — para A-26A/K. A USAF, por necessidades operacionais, desejava estacionar os Invaders no território tailandês, mas não podia porque as leis tailandesas proibiam a presença de bombardeiros. Então os aviões voltaram a usar a designação "A-26", que quer dizer Ataque (Attack), e assim foram engajados a partir da Tailândia.

Um A-26 arruinado do 89º Esquadrão de Ataque, 3 Grupo de ataque. Okinawa, Japão (provavelmente 1945)Uma impressionante imagem de A-26 no teatro europeu com a asa partida por uma bateria antiaérea. Nona Força Aérea, 642º BS, 409º BG.

Guerra da Coreia

Os Invaders foram extensivamente usados neste conflito, com pelo menos 37 aeronaves engajadas já em junho de 1950, as quais, no decorrer do ano, chegaram a perto de uma centena. Todos os aviões realizavam suas missões a partir de bases no Japão. Podia-se contar com os A-26 para realizar perigosas missões noturnas em voo à baixa altitude, manobrando no território montanhoso da península coreana. Milhares de veículos foram destruídos pelos Invaders em mais de 232 mil horas de voo e cerca de 20 milhões de cartuchos 0,50 disparados.

Inicialmente os A-26 estacionados no Japão deram apoio à retirada dos cidadãos norte-americanos de Seul. A partir do fim de junho de 1950, no entanto, os aviões já estavam atacando alvos na Coreia do Norte. Os Invaders provaram ser um bem de valor inestimável no rompimento das linhas de suprimento inimigas, atacando alvos não blindados e causando danos devastadores.

As táticas foram aprimoradas com o ganho de experiência em combate. As tripulações aprenderam a bombardear alvos móveis com grande precisão, repetindo ataques ao atirar com o enorme poder de fogo das oito metralhadoras instaladas no nariz — e não era incomum o avião ter instalado mais seis nas asas, totalizando quatorze armas automáticas disparando ao mesmo tempo!

Os A-26 atacavam as bases aéreas inimigas eficazmente com sua excelente carga de bombas — incluindo napalm —, metralhadoras e foguetes contra os alvos que apareciam à vista. O Invader foi um sucesso nas missões noturnas, embora os inimigos tenham se mostrado resistentes, mudando suas rotas de suprimento em reação às táticas norte-americanas.

Os Invaders foram os últimos aviões a cumprirem missões sobre a Coreia antes que cessassem as hostilidades. Depois da Guerra, os norte-coreanos em geral admitiram que o Invader era uma das armas mais temidas, em grande medida devido aos aterrorizantes ataques noturnos.

Conflito indochinês

Os franceses usaram A-26 arrendados ao governo norte-americano no conflito indochinês durante a década de 1.950. Eram basicamente modelos A-26C com nariz envidraçado com o radar dos velhos caças noturnos Meteor NF. 11.

Guerra do Vietnã

A partir de 1.961 os Invaders foram novamente à ação, sendo retirados dos depósitos militares para o uso no teatro de operações do Vietnã, no qual eles inicialmente foram engajados em missões de reconhecimento e ataque. Tal campanha durou pouco tempo (1.961-64). Os aviões de ataque usado nesses estágios iniciais eram A-26B com insígnias sul vietnamitas e designados oficialmente como RB-26, embora fossem versões de ataque integralmente funcionais. Em pouco tempo as missões típicas de apoio aéreo aproximado e ataque voltaram a ser perpetradas. Por esta época o A-26, velho e cansado de guerra, começou a mostrar a sua idade. Os anos em operação desgastaram a estrutura do aparelho, bem como a operação constante diminuiu a segurança do monoplano. Era evidente que logo o Invader deveria ser retirado do serviço ativo por uma questão de segurança, dado que ao menos dois aparelhos já haviam caído por colapso estrutural.

Em vista disso, como já explicitado acima, quarenta Invaders foram reconstruídos de acordo com a especificação A-26A/K.

E tal como aconteceu no Coreia, os Invaders foram os responsáveis pela interrupção das linhas de suprimento no Vietnã, onde permaneceram operacionais até 1969, quando começaram a ser retirados dos quadros da ativa para dar lugar a aviões mais novos e capazes —como o excelente A-6 Intruder —, tendo as demais variantes sido aposentadas até 1972, finalizando a incrível trajetória de uma avião inteiramente projetado de acordo com as necessidades da Segunda Guerra Mundial que, pelas suas qualidades, permaneceu no serviço ativo servindo na Guerra da Coreia e Vietnã — algo, à época, inédito na aviação militar.

Informações adicionais, imagens, etc.:

  • A página do History of War sobre o Invader tem um conjunto de informações sobre o A-26 bem interessantes e mais completas.
  • A página do Military Factory é bem escrita, com informações detalhadas sem ser cansativa como os verbetes da Wikipédia.
  • O artigo da Wikiipédia contém informações bastante completas.
  • No Flickr há uma extensa galeria de fotos que contempla o elegante A-26. Vale muito a pena conferir. As fotos utilizadas nesse texto foram retiradas de lá.
  • No site de Rudnei Cunha há informações sobre o A-26 sob serviço da Força Aérea Brasileira.
  • Página no Musal.

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